Tinha de ser. Ainda não tinha acontecido a gripe. Bem previsível, por mais que eu até seja resistente. A questão é que não sou resistente numa perspectiva meramente preventiva. Resisto até ao fim. Em pleno exercício de "denial". Não, não estou doente. São só umas dores de corpo passageiras. Não, a minha voz não está com aquele tom de cama e rouco. Não, não sinto nada uma orquestra sinfónica na minha cabeça, em pleno exercício de afinação. E faço tudo como se nada fosse. E que ninguém se atreva a ter pena ou a querer ajudar mais do que o habitual ou necessário:) Até que acontece ser incontornável e inapelável. Normalmente, esse carácter inapelável e incontornável declina-se no meu pensamento e assim: é urgente cair no sofá, enrolar-me numa manta e esperar que isto vá embora. Sou uma paciente extremamente impaciente. Da única vez que fiquei internada, algures com sete anos, tirei os fios todos dos meus braços e vim passear para os corredores. Até ser apanhada por uma enfermeira, que me gritou o "então, jeitosa?" mais sonoro da minha vida:)
Agora a questão: como é que eu faço, assim que assumo que é mesmo verdade e que estou com uma clássica gripe? Chocolate (muito) quente. Um reforço infalível. Bebido mesmo antes de ir dormir. E é chocolate no estado mais puro. Nada de especiarias nem de técnicas estranhas que consomem paciência preciosa em tempo de gripe. Só assim: leite quente e três colheres (de sopa) de um bom pó de cacau para chocolate quente (uso Neuhaus e costumo comprá-lo aqui). Nunca junto o leite de imediato. Primeiro só um bocadinho, para mexer como se fosse um creme. Depois sim, o leite até encher uma daquelas canecas de ir connosco para o sofá. Uma revista, uma manta e dois analgésicos hão-de fazer com que tudo passe.
Os scones das imagens são um bónus. No auge do assumir da minha gripe, o meu filho perguntou se eu podia fazer scones. Ainda hesitei. Mas ele é tão irresistível e eu sou tão do género de tentar contrariar neuras, que a resposta foi um vamos lá:)
Scones clássicos como as gripes
(quantidades para cerca de 15 scones)
500 g de farinha + 1 ovo inteiro + 50 g de manteiga + 1 chávena de leite + 4 colheres (de sopa) de açúcar + 1 colher (de chá) de sal
Derrete-se a manteiga. Enquanto isso acontece, coloca-se numa taça a farinha, o açúcar e o sal. Abre-se uma covinha no meio e coloca-se o ovo. Junta-se depois o leite à manteiga já derretida e estas duas coisas à mistura da taça. Amassa-se durante uns cinco minutos, enfarinhando as mãos, se começar a colar. Depois, forma-se bolinhas do tamanho de tangerinas e vai-se colocando num tabuleiro polvilhado com farinha. Vão ao forno a 200 ºc durante cerca de 15 minutos. Dois minutos antes de tirar do forno, pincela-se com um pouco de gema de ovo misturada com um fio de leite.
A música que me apeteceu ouvir, enquanto isto tudo acontecia. Space Oddity. David Bowie numa perspectiva Smashing Pumpkins. E porque me lembrei dos meus dois versos preferidos desta música. Insistentes, no meio desta gripe persistente.




