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"La beauté est partout."







A imagem das janelas do lugar que me fez viver Paris como nunca antes. Os livros de lá. Uma cidade é ainda mais, na nossa memória, quando abrimos um livro e a escrevemos numa primeira página. Com a data. Um ou outro contexto. Mas o mais especial que trouxe de Paris foi mesmo uma folha de plátano. Veio a voar, até ao terraço. Caiu mesmo à minha frente. Achei que estava no meu destino, aquela folha. E recolhi-a. Veio comigo como um tesouro. E está aqui. Guardada numa caixa de vidro. Como é que dizia Rodin? La beauté est partout. Esta folha muito frágil lembra-me isso. Uma e outra vez. Uma e outra vez. As vezes que forem precisas de la beauté est partout
As luzes. Ficam também as luzes inevitáveis. E a memória de uma deambulação nocturna. O último capítulo de mais uma história em Paris. Desta vez com registo. Por ter sido tão bonita de viver. 

A fechar este capítulo, algumas coordenadas, para viagens futuras a Paris:

As livrarias 

As ruas 
Rue de Babylone
Rue de Miromesnil
Rue Monsieur Le Prince
Rue de Sèvres
Rue de Seine
Rue de Racine
Rue de Vaugirard

Antiquários e Galerias de Arte



Até segunda-feira e à narrativa quotidiana! Enquanto não, uma música "boa onda":) 


A minha Place Vendôme: La Grande Épicerie de Paris.







As verdadeiras jóias estavam aqui. Não por detrás dos vidros-fortaleza das montras na Place Vendôme. Não precisam de guardas à porta. Nem de contemplação ao ritmo de champanhe e mãos com luvas, a potenciar-lhes o carácter de tesouros. O brilho destas jóias não perdura noutro lugar que não na nossa memória. Mas jóias, ainda assim. Perecíveis. Consumíveis.
Um dos lugares onde passei mais tempo, neste regresso a Paris. A Grande Épicerie , no Le Bon Marché. E sim, como se tudo fosse tesouro. Como se cada prateleira guardasse diamantes, ametistas e tudo o mais que brilha. Tanto, que hei-de lembrar-me sempre de ter "fugido" do Faubourg Saint-Honoré para ir procurar ervas aromáticas e coisas assim:) Mais um capítulo em Paris, esse. Esta foi a banda sonora dessa fuga, no táxi que me levou rápido à minha Place Vendôme. Na altura, achei improvável, o gosto do condutor pela música dos London Grammar. Improvável, de belo. Passou rápido, a parte de pensar em coisas improváveis, que me concentrei só em gostar muito que esta música tivesse acontecido naquele momento.

La Gauloise. O primeiro jantar do ano.









Embora o meu registo seja etéreo, a verdade é que esse registo se concilia muito bem com o meu sentido de organização. Essencialmente para que a poesia e a beleza possam ter espaço suficiente. Isso significa que, antes de qualquer viagem, procuro isolar dois ou três restaurantes, deixando lugar ao aleatório e ao imprevisto. Este foi o lugar que antecipei, para a primeira noite em Paris, que foi, simultaneamente, a primeira noite do ano. Duas coisas bem especiais e importantes.
É certo. Comida bem honesta, bem no espírito parisiense. Um clássico, na cidade. Há anos que tem um lugar garantido, nas preferências gastronómicas de muitos. Para além disso, é tão bonito. Os veludos, os cadeirões confortáveis, as luzes moderadas e quentes. Estava a chover, na noite deste jantar. E soube ainda melhor, tudo. Uma memória grata. Especial. Agora partilhada. Com a memória do lugar, a música.

Paris. Como se fosse em casa.











Não foi a primeira vez em Paris. Mas foi como se sim. Por isto: habitei a cidade. Fiz compras de mercearia. Levantei-me bem cedo para ir comprar croissants na boulangerie perto de casa. Uma memória que estará sempre: ouvir os ruídos de início de dia em Saint-Germain-des-Prés, meio ensonada, respirar o ar fresco cá fora, mesmo antes de sentir aquele odor especial de padaria de bairro. Dizem que aquilo que vivemos não pode ser-nos retirado, não é? Mesmo assim. Venha o que vier, os primeiros dias deste ano já estão. E foram cheios de uma felicidade muito simples. Muito perto daquilo que mais me preenche. Eu sei que há as outras coisas todas das histórias de Paris. A monumentalidade. Os museus. Os lugares com montras cheias de jóias. Os outros cheios de roupa e sapatos e carteiras. Eu sei dessas coisas todas. E também gosto dessa beleza que é, apressadamente, desvalorizada. Mas também sei do meu encantamento ao fazer compras para o jantar. Como se Paris inteira fosse a minha casa. Creio que é (também) assim que uma cidade se entranha em nós.
Por isso, agora, já posso falar de Paris, que das outras vezes não podia. Não tinha sido feliz, lá. Não vinha aqui contar histórias. O critério, neste registo, é esse. Escrever e deixar imagens do que foi bom de viver. E desta vez foi. Muito bom e muito belo.
Ficam excertos de alguma da comida que fiz, nos primeiros dias do ano. Com felicidade dentro e brindes a bons inícios!

Caldo de cebola, bacon e feijão verde

2 cebolas + 1 tomate (sem casca e partido em cubos) + 3 fatias de bacon (cortadas em cubos pequenos) + uma mão cheia de feijão verde (partido em pedaços) + azeite, sal, água e pimenta preta q.b. 

Faz-se um refogado com a cebola, o azeite e o bacon. Deixa-se estar durante dois ou três minutos e acrescenta-se o tomate. Mais uns cinco minutos e junta-se água a gosto (mais ou menos até meio da panela que se estiver a usar). Tempera-se com sal e tapa-se, até ferver. Quando começar a fervura, acrescenta-se o feijão verde e deixa-se cozer (uns dez minutos). Rectifica-se os temperos (mais sal, um fio de azeite) e serve-se, com o toque final da pimenta preta.

Com a receita de um caldo reconfortante, o Inverno feito música. Uma das minhas estações preferidas de Vivaldi. Tem os ingredientes todos. Música com os ingredientes todos.

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