Chá Clube | Porto.























Para o ritual do chá, no Porto, este sítio que fica hoje. Um daqueles sítios que não precisa de provar nada, dada a longevidade e a consistência. Ali, só é preciso que as coisas continuem a ser o que sempre foram. Por isso, de cada vez que cruzo a entrada discreta do Chá Clube, no Aviz, espero interiormente que tudo esteja tal como sei de cor há anos. Os bancos de veludo carmim, as toalhas de linho rosa, os painéis de nogueira e os candeeiros de luz quente, disseminados pela sala onde tudo acontece. E o que acontece é sempre tão bom. A começar pela noção de conforto, de aconchego. Tenho sempre a sensação de ser um lugar à parte. Que aquela porta se abre para um sítio (quase) secreto. E até que é. Quem passa e não sabe, mal dá conta. E, então, sempre que é Inverno e estou no Porto, aquele ritual britânico do chá. Para mim, é uma coisa mais de Inverno, este hábito. Nos meses quentes, só me apetece o meu chá fresco de hortelã e durante a tarde não tenho vontade de comer nada. Mas os nossos ritmos são diferentes consoante as estações e, por isso, os dias frios pedem chá quente à tarde. E é tão bom que assim seja, que as estações nos lembrem que tudo está sempre a acontecer, sempre a mudar. 
Seja o que for que se peça daquela ementa antiga do Chá Clube, será bom. Muito bom. Tudo feito ali. E nestas coisas do chá de acordo com os rituais ingleses, há sempre muita coisa que não é feita como deve ser. A começar pela maneira como se prepara o chá. Ali, não há risco de o chá ser mal preparado. O tempo é bem medido, para que todas as coisas boas se integrem na água quente dentro de um bule. Quando vem para a mesa, virão também uns scones deliciosos, no ponto certo, servidos como é suposto: quentes e já abertos ao meio. E os pãezinhos mornos com fiambre que peço sempre porque me apetecem sempre:). Tal como me apetece sempre o mesmo chá. De entre a lista infindável na carta de chás, escolho sempre o chá de gengibre e limão. A este propósito, uma informação relevante é dizer que aqui há esta marca de chás, que é uma das minhas preferidas. E esse é um daqueles detalhes que faz a diferença. Quando vou com o meu filho, tem de haver chocolate quente. O maravilhoso chocolate quente do Chá Clube. Assim, desde pequeno. Curioso como a infância é tão persistente, apesar de tudo. O meu filho já não é uma criança e ainda assim, o mesmo chocolate quente e os mesmos scones de sempre. Nem é preciso dizer nada. Mas adoro que aos 14 anos, com o seu 1.85m de altura, o seu basket, o seu rap e o seu hip hop, queira as memórias de infância com aquela descontracção e naturalidade que são muito minhas, a par de um certo brilhozinho nos olhos. Em tudo o mais, é tão igual ao pai. E a si mesmo.   
Com este lugar, a Harper's Bazaar deste mês e que é dedicada ao que há de melhor, no espírito do Reino Unido. No epicentro desta trapalhada toda que é o Brexit e que ninguém entende verdadeiramente, especialmente os protagonistas. Curiosamente, não se ouve falar do homem que abriu esta fissura. Desapareceu, o David Cameron. Deve andar a dar conferências pagas a peso de ouro. Ou a "escrever" um livro de memórias. É o mais provável. Os destinos de países inteiros andam entregues a irresponsáveis, a fracos, a loucos. E um dos pontos é que o mundo já não se consegue pensar país por país. Tal e qual como é dito numa das páginas deste livro, que é um dos fica hoje e que é o mais recente de um historiador israelita fluente na linguagem contemporânea que não tem tempo a perder. Inteligível, directo, pragmático. Ficam também os outros dois livros do mesmo autor e que já foram lidos há muito. Faz sentido que estejam todos juntos na mesma página.

  
A música é dos Massive Attack. Uma das minhas músicas preferidas. De sempre. Para sempre. 

4 comentários:

  1. Sempre muito encantador todos os pequenos detalhes que se tornam grandiosos sob o seu olhar, muito obrigada pela partilha

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    1. Obrigada eu pelo seu carinho. Os detalhes dão sempre aquele brilho à vida, creio.

      Mar

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  2. Lindo, vibrante e tão especial o que escreves...

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