Fragmentos. Coisas pequenas que surgem com os dias. Coisas que podem ser feitas. Com as mãos. Ou que podem ser vividas. Coisas que nos acrescentam. A música, um livro, um sítio, uma refeição. Que depois de incorporadas são memórias. As coisas que gostámos de viver.

quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

Até ver.









Nas receitas, até que é fácil. Começa-se qualquer coisa, determina-se os ingredientes, as quantidades e sabe-se quando termina o processo. Nas outras coisas todas, é só difícil. Como agora.
Um processo interior, até este momento. Muito silencioso. Sereno. A decisão estava escrita há algum tempo. E é esta. Este lugar onde tenho existido desde há quatro anos precisa de parar.
Quatro anos feitos de coisas que eram para fazer bem. Ia deixando aqui, quase como se atirasse ao vento. Ou como se fossem aquelas mensagens dentro de garrafas, perdidas no mar. Num momento qualquer, alguém iria ler. Ou mesmo que não, o facto de terem sido aqui deixadas valeria só por isso. Aqui. Coisas que me fizeram feliz. Coisas que pudessem fazer alguém feliz. Podia ser uma mesa. Uma comida qualquer. Um lugar. Um livro. Um gesto. Um dia de sol. Outro de chuva. Nuvens e arco-íris. Todas as enumerações imperceptíveis que vão fazendo parte dos meus dias. Acabavam por estar também aqui. No espaço entre mim e o vento, podia acontecer aquilo. Aquilo de uma pessoa poder ter um dia melhor por causa das cores de uma mesa. Aquilo de alguém se decidir (finalmente) a fazer um risotto. Uma pessoa. Uma pessoa. Escrevi para uma pessoa o tempo todo. E agora também é assim. Para a pessoa que chegar aqui e não encontrar coisas que são para amar. As tais coisas da Mar. Isto a ser escrito. A querer dizer que há um tempo qualquer em que se sabe que é para parar. Suspender. Os termos que houver para isto que é assim como a água que não conseguimos manter nas mãos. Que se nos escapa. 
Ficam as coisas que significam que decidi não continuar. Até ver. Disse-me assim. Para ser até ver. A pessoa com quem tenho aprendido que a única coisa definitiva que deve haver é não haver coisas definitivas. Não sei. Sei que não consigo saber como é que vai ser. Mas que, enquanto não, será até ver. Enquanto não, aquilo que fica aqui em suspenso é um risotto. Uma mousse de chocolate que não podia ser mais de chocolate. Uma mesa que foi como as de tantos outros dias. O meu ballet. E música com um final dentro. Um daqueles que ficamos sem saber. Adivinhamos. Projectamos. Interiorizamos. E depois vêm os créditos finais. Com mais música. A banda sonora que dita que abandonamos uma narrativa. Mas que a levamos dentro de nós. 
Não conseguia deixar de escrever sem mais. Devo isto. Tal como senti que era importante responder a todos os comentários. A todos os emails. Tão grande, isso de alguém parar aqui um bocadinho. Tão grande, isso de alguém escrever aqui um bocadinho. Muito. É muito. O meu respeito e a minha gratidão por cada uma das palavras que prolongou o sentido inicial do que foi aqui ficando. Cada uma das palavras com uma pessoa a respirar. A palavra certa é esta. Obrigada. 

Risotto de abóbora e pimenta preta

1 chávena almoçadeira de risotto (carnaroli) + 1 cebola pequena + abóbora-manteiga q.b. + metade de um pimento italiano vermelho + 1 copo de vinho tinto + 1 colher de sopa de manteiga + 1 litro de caldo de legumes + sal, azeite, pimenta preta e Parmesão q.b. 

Faz-se um refogado com a cebola picada, o pimento e a abóbora cortados em cubos pequenos em azeite. Depois de uns dois minutos, junta-se o risotto e mexe-se com cuidado, envolvendo bem o arroz. Quando começarmos a sentir que o risotto está bem envolvido no azeite, acrescenta-se o copo de vinho tinto e aprecia-se o momento:) Entretanto, continuamos a mexer, harmonizando bem. Quando o vinho evaporar por completo, junta-se metade do caldo de legumes (quente). Continuamos a mexer, até evaporar por completo. Assim que sim, o resto do caldo de legumes e a mesma coisa do momento anterior: mexer com aquela paciência tranquila de fazer risottos. E um pouco de sal. Até evaporar quase tudo. Pouco antes, acrescenta-se a manteiga e o Parmesão. Envolve-se muito bem e desliga-se o lume. Deixa-se "repousar" durante dois minutos, com a tampa do tacho entreaberta. Leva-se à mesa e tempera-se com bastante pimenta preta, já no prato. 
NB: Pode acrescentar-se os legumes verdes que nos apetecer. Se sim, devem ser introduzidos ao mesmo tempo da primeira dose de caldo de legumes (excepto se forem espinafres, que não devem ser demasiado cozidos). 

Mousse de chocolate e mais chocolate

NB: A base desta variação é uma receita da Nigella Lawson. Abdiquei dos 284 g de natas gordas e adaptei a quantidade de manteiga. É extremamente rápida de fazer. Não tem ovos, nem açúcar, nem precisamos de estar horas à espera para que fique pronta:) 

150 de marshmallows + 50 g de manteiga + 250 g do chocolate negro de que mais gostarmos + 60 ml de água quente + 1 pacote de natas

Simples. Tudo no mesmo tacho (excepto as natas), ao lume. Mexe-se, até que o chocolate e os marshmallows derretam. Quando acontecer isso, retira-se do lume e deixa-se arrefecer um pouco, mexendo de vez em quando. Entretanto, bate-se as natas. Depois, é só juntar à mistura de chocolate. Vai ao frio durante uma hora. No momento de servir, podemos acrescentar coisas, se quisermos. Ou então não. E ser só chocolate e mais chocolate.   

E creio que está. Que fica por aqui.
 

46 comentários:

Babette disse...

Estava aqui à espera do post. Chegou. E creio não ser abusivo querer ser a primeira comentar. Por tudo o que já falámos. Mas sobretudo por isso do virtual nos ter conduzido a nós, no mundo real. O mais bonito do percurso do meu blog foi ter encontrado o teu. Até ver é uma formulação serena e adequada. Sabe dar-te bons conselhos, o teu Vasco. Até ver. O registo é esse. E ficam as coisas mais gratas para ti. Mesas (que curiosamente tinham tangerinas), um risotto, a mousse com a receita precisa, a música e a dança. Muitas pessoas vão sentir a falta das Coisas d'amar. Até ver é uma boa decisão. Tira isso do definitivo das coisas. E entretanto fica o resto. Como quando um dia me corre menos bem. Venho ver as tuas mesas. Tranquilizam-me, fazem-me bem. Tu fazes-me bem. Até ver, então. Neste registo, pelo menos. No real, um até amanhã. Até todos os dias...
Babette

Anónimo disse...

Vou sentir a falta de vir ler, apesar de poucas vezes comentar. Assim como se as palavras fossem dispensáveis. E são, muitas vezes.
Espero que a ausência seja breve.
Bjns

Maria Emília Melo disse...

Querida Mar
Até ver não vem, mas está sempre para mim. Será como regressar àquele album que nos leva a coisas boas e nos resgata das menos boas do nosso dia após dia.... Para mim coisa d´amar será o meu refúgio sempre porque sei que lá está sempre a Mar,que me desafiou a atirar cá para fora os pensamenttos que nunca tinha materializado.Não há coisas definitivas ,como diz o seu filósofo, mas há pensamentos e sentimentos para sempre.Aqueles que nos levaram a agir naquele instante,naquele espaço, neste espaço.Estarei aqui quando precisar de sentir a Mar e sei que também vai estar sempre aqui porque com as suas marcas.Não é uma despedida.É um até já.Quando apetecer, quando precisar de descansar a alma com belos textos, lindas mesas,bons sabores e tudo o que consigo retirar das entrelinhas.
Obrigada por tudo o que recebi.Obrigada por tudo o que me fez pensar.Obrigada por tudo o que me fez sentir em dois anos que a visito.obrigada por me dar a possibilidade de aqui entrar mesmo sem posts.A sua presença está aqui e isso é muito importante.

Bolo ao Cubo disse...

Gostei muito do post. É um post feliz !
Cheio, pus a música do Lost and Translation, dos últimos minutos do filme, e li.
E é assim mesmo como dizes. Fica tanto e continua a haver tanto. A verdade é que temos muitas casas, e esta foi uma delas, e por ficar por aqui ela não desaparece. Guarda-se, como um lugar, um sitio, em nós. Com o carinho que se dedica a uma coisa que nos fez bem, sempre bem.
E eu voltarei um dia e outro para a receita do bacalhau com natas e para tantas coisas mais, coisas de conforto.

Um beijinho grande,
da tua amiga que te acompanha.
Amanhã o Pedro vai pôr música no Sound e eu vou-lhe pedir para passar bem alto "Just like honey"! Apareçam ;)

Anónimo disse...

Querida Mar:
A beleza com que chegou é a mesma com que se despede. Até pode ser um até um dia, como diz.Li belos textos e fez-me muitas vezes sorrir e meditar. A sabedoria em pessoas jovens tem outro sabor. Como lhe disse, como se já tivesse estado lá bem mais à frente.E fez bem a muita gente, na qual esta família inteirinha está incluída.
Beijinhos.

Lusitana disse...

A minha assinatura, vê-se logo a trapalhona que sou nestas matérias.
Faltou dizer que é a sua Lusitana.

Maria Emília Melo disse...

Querida Mar
O que queria dizer com aquela frase que deixei incompleta(ou ter-se-á apagado?)é que as marcas que aqui deixou são tão profundas que não serão nunca apagadas por uma ausência por si desejada. Vêm aí as magnólias, as camélias, as glicínias e o meu pensamento voará até si.Sempre.
Aquele abraço.
Maria Emília Melo

Graça disse...

Creio que um blog só faz sentido enquanto faz bem a quem o escreve, mesmo que faça muito bem a quem o lê. Espero que esta suspensão seja passageira, que volte a querer partilhar aqui o que lhe vai na alma.
Gosto muito das suas mesas e da maneira como vê a vida e como dá importância às coisas mais simples.
Para mim é muito importante vir a este cantinho, mesmo que não comente.
A primeira vez que fiz risotto foi com a sua receita, e já repeti.
A música é muito bonita e gostei de ver as sapatilhas de ballet. Em tempos também fizeram parte da minha vida!
Até ver então! Que seja muito feliz!
Um beijo,
Graça

Receitas ao Desafio disse...

Ainda que silenciosamente, passava sempre por aqui. Vou ter saudades!
Até ver.
Um beijinho.
Maria

Joana Reis disse...

Um grande obrigada, também, daqui.
Por tudo. Por nada.
Por todas as coisas d'amar.
Em silêncio.
Um bom abraço,
Joana

Fa disse...

Querida Mar

Não posso dizer que este post tenha sido uma surpresa. Já estava anunciado. Percebi que tinha ficado em suspenso.
Precisei de reflectir antes de lhe escrever. A minha primeira reacção seria egoísta. Mas hoje acho que está a tomar uma decisão sensata, por vários motivos que depois lhe direi.
Um dia deste vou fazer o tal risotto.
Até breve
Fa

Ilídia disse...

Realmente, as coisas só têm razão de ser enquanto nos fazem bem, nos dão prazer. Quando não, é altura de parar. Vou ter saudades de te ler. Mas, como disse a Babette, podemos sempre vir aqui matar saudades de uma mesa bonita, de uma música, de uma das muitas coisas d'Amar que nos fazem bem.
Que estejas bem. É o que interessa. E obrigada pela beleza com que nos presenteaste ao longo destes anos.
Um beijo,
Ilídia

Mar disse...

Olá Babette:

Não consegui não dizer, quando falámos. E foi bom, isso de seres a primeira a comentar. Como se fosse uma espécie de acolhimento. Obrigada também por isso.
Estes mecanismos aleatórios que nos fazem coincidir com as pessoas são curiosos. E muitas outras coisas. Tenho tido alguns maus encontros. Mas também sei uma coisa muito luminosa: todos juntos não conseguem ultrapassar o somatório dos outros, dos bons. A juntar a essa equação, um factor determinante, que é aquilo de as pessoas boas serem infinitamente mais.
Isto para dizer que é assim. Que não fazia ideia, quando dei início a este lugar. Não fazia ideia que iria ser tão bonito. E que iria conhecer alguém como tu. Uma amiga que não era para ser. Por todas as diferenças e ritmos que sabemos. Mas a questão é que foi. Uma amiga. Um presente vindo não sei de onde. Não sei como.
E não é que foi até amanhã?:) Mais parabéns para ti, que nasceste hoje há uns anos:)

Até todos os dias.

Mar

Mar disse...

Ao anónimo ou à anónima:

Gosto do que é dito. E do que não é de dizer. Do que se cala. Das circunstâncias em que as palavras são dispensáveis. Obrigada. Por dizer que vai sentir a falta. Por esperar que a ausência seja breve. Não sei. Para mim, as ausências nunca são breves. O tempo das ausências parece estender-se sempre mais.

Um beijo.

Mar

Mar disse...

Emília:

Uma comoção enorme, ao lê-la. E agora, nesta tentativa de réplica. E não sei o seu rosto. Nem a narrativa que traz consigo. Não falamos fora deste registo. Não há outra coisa que não esta convergência muito bonita, que preservo como um tesouro que não cabe em cofres ou arcas silenciosas.
Gostava de conseguir explicar bem, com as palavras certas. Mas não dá. Dá para dizer que a minha gratidão e o meu carinho são assim definitivos. E que se renovam, como as flores, que arranjam maneira de ultrapassar todos os Invernos.
Eu estou aqui. As coisas que aqui foram sendo deixadas são fragmentos de tudo o que faz parte de mim.
Retribuo. Tudo o que recebi. Tudo o que me fez pensar. Tudo o que me fez sentir. A sua presença também está aqui. O meu pensamento também vai até aí.
É uma pessoa muito bonita, Emília. E isso é muito importante.

Obrigada. Muito. Aquele abraço para si.

Mar

Mar disse...

Olá Pipinha:

Ainda bem que chegou aí dessa maneira. Um post feliz, então.
Temos muitas casas. Fora e dentro de nós. Esta foi a minha casa com palavras e imagens e música. Uma casa partilhada. Que era para fazer bem. Vai ficar assim, por aqui. Mas com as coisas que já foram vividas. Que são como tudo o que se vive: pode ser resgatado. Em exercícios de memória. Ou nessas concretizações de que falaste.
E andava algures pelo Porto, ontem. Pena termos perdido Alice in Chains muito alto:)

Um beijo para ti, que estás sempre. Outro para os teus Pedros:)

Mar

Mar disse...

Olá Lusitana:

Não precisa de assinatura. Essa sua formulação ficou-me. Parei, quando disse isso, há algum tempo. Que era como se eu já tivesse vivido uma vida muito longa. E tivesse voltado para trás. Para viver tudo mais devagar. Melhor. Não se esquece uma formulação destas. Não se esquece.
A Lusitana e a sua família fazem com que eu pense que devo procurar ser melhor. É isso. Gostava de ser melhor, para estar à altura.
Obrigada por mais uma assinatura sua. Aqui. Por todas as outras, antes desta última.

Um beijo.

Mar

Mar disse...

Olá Graça:

Percebi o que quis dizer. Não se tratou de deixar de me fazer bem. Esta é uma das dimensões da minha vida que só tem sido grata. Há fragilidades exteriores a este lugar. Desilusões com pessoas dentro. Mas não encontrei nada disso aqui. Cheguei serenamente a um ponto: que precisava de parar.
Fico muito feliz por ter feito risotto. Fico feliz por saber que a dança fez (ou faz) parte da sua vida. Fico feliz por essa enumeração muito bonita. Hei-de voltar a ela. Uma e outra vez. Para me lembrar de coisas boas.

Um beijo para si. E felicidade. Muita.

Mar

Mar disse...

Olá Maria:

Obrigada por essas suas visitas silenciosas. E pelas saudades verbalizadas.

Um beijo para si também.

Mar

Mar disse...

Olá Joana:

Gratidão daqui, também. Por todos os pequenos nadas que podem ser muito.

Um abraço nosso. Um abraço meu para si é, também, um abraço do Vasco.

Mar

Mar disse...

Olá Fa:

Por algum motivo a nossa comunicação foi logo tão imediata. Sabia que talvez soubesse que esta seria a sequência. Não consegui dizer antecipadamente. Ocorreu-me. Mas pensei que não iria fazer bem esse processo. Não sei bem.
Obrigada pelo seu acolhimento. Irei a Lisboa por estes dias, se não houver coisas a contrariar. Dir-lhe-ei, quando sim. Tenho saudades da minha amiga com nome de Fada:)

Um beijo.

Mar

Mar disse...

Olá Ilídia:

Dir-te-ei melhor as razões quando falarmos a este propósito. Mas não foi por ter deixado de ser bom e grato. Esse sentido conseguiu permanecer intacto. Seria terrivelmente ingrata, se pensasse o contrário.
Estou bem. Daqui a nada, vou fazer uma das comidas preferidas do António. E pôr uma mesa bonita. com avencas e velas. Isso faz-me pensar também em ti, vês?:)

Um beijo.

Mar

Isabel Fonseca disse...

Querida Mar

Momentos de pausa e distanciamento são necessários a uma vida respirada com intensidade e paixão.

Irei continuar a visitá-la. Agora para conhecer melhor as passadas deste trilho de quatro anos que há tão pouco descobri. E fico feliz por ainda ter chegado a tempo desta nossa cumplicidade. Uma experiência bonita, mágica mas autêntica, e que vivo pela primeira vez. Obrigada por tê-la permitido.

Num dos primeiros comentários que aqui deixei indiquei-lhe o filme "Um Toque de Canela", que em muito reconheço identificar-se consigo, com este lugar. Até ver, deixo outra sugestão. Agora de música, no trabalho que descobri recentemente, "Los Pájaros Perdidos" do grupo L'arpeggiata". Especial, como a sinto especial a si.
(vídeo do espectáculo no Yutube.)

Vamos encontrar-nos brevemente.
Um beijo,
Isabel

Maria de Sousa Pinto disse...

Foi uma descoberta recente, contudo muito gratificante!
Vou sentir saudades de seus belíssimos textos, de suas imagens com tanta beleza, tanta estética!...
Que seja uma ausência breve!

Mar disse...

Olá Isabel:

Bom que a vida seja condimentada. No fundo, até que é mesmo como nisto de fazer comida. Dava para muito, pensar a partir daqui. Um pouco de pimenta. Um pouco de sal. Água na fervura. E sim, um toque de canela:) As especiarias todas que apetecer.
A minha existência estava a pedir isto. O ponto não era não estar bem aqui. Mas saber que era importante respirar sem esta dimensão, durante o tempo necessário.
Eu agradeço. Todas as suas palavras por escrito. E as outras, com voz. Por enquanto, ao telefone. Fui ouvir a música que deixou com as palavras. Obrigada também por esse bocadinho de tempo.
Especial.

Falaremos brevemente.

Um beijo.

Mar

Mar disse...

Olá Maria:

Linda, essa reciprocidade. E de agradecer. A escrita continua. Subterrânea, por agora. E a estética. Na vivência quotidiana. No que queremos acrescentar ao que nos é dado com o respirar de todos os dias.
A minha gratidão pelas suas visitas. Pelas verbalizações. Também faz parte dos meus pensamentos luminosos, a Maria de Sousa Pinto. Partilhamos um apelido, agora que reparo. O meu com Menezes "colado" a Sousa:)

O melhor para si.

Mar

foodwithameaning disse...

Que este post seja apenas o anúncio de uma pausa.É o que desejo. Creio que não é fácil abraçarmos o mundo no seu todo. Ele é tão diversificado e rico. Oferece-nos por isso um manancial de coisas que queremos experimentar, ler, ver, sentir... Os tempos suspensos são, por isso, momentos importantes de reflexão.E os dias fazem-se de prioridades.E os dias querem-se repletos de coisas que façam sentido.Espero que o ditado "Há mar e mar, há ir e voltar" se aplique aqui. Que nos dê o prazer da sua volta.
Um abraço.
Patrícia

Anónimo disse...


Seja feliz : )
Até um dia.
Um beijo, um abraço.

Jo

Anónimo disse...

Olá Mar,

Espero que este "Até ver" seja breve, muito breve. Foi com tristeza que li este seu post. E tenho que confessar que a primeira reação foi de egoismo, mas percebo muito bem isso de nos afastarmos, de estarmos em silencio. Espero que este afastamento lhe faça bem.

Um beijo com carinho.

Íris

Mar disse...

Olá Patrícia:

É bom saber que, algures, num tempo qualquer, alguém deseja o nosso regresso. Isso dará sentido ao que estará para vir. E que eu não sei. Isso da pausa...Faz sentido, o tempo em que nos recolhemos um bocadinho. Muito sentido.
Muito obrigada por este tempo, Patrícia. O mesmo abraço para si.

Mar

Mar disse...

Olá Jo:

Estou a tentar. A dar o meu melhor para que sim. Felicidade para a "minha" pessoa com o nome só com uma sílaba:)

Um beijo e um abraço.

Mar

Mar disse...

Olá Íris:

E eu entendo aquilo que disse. Também senti que podia estar a desapontar. Não sei se uso o termo certo. Mas não é uma desistência. Nem resignação. Não é por nada de mal. É por isso do silêncio. Era preciso.
E não sei. Quanto tempo. Não sei. Mas sei que gostei sempre de a ler aqui. E que o seu nome seja de flor:)

Um beijo para si. Com o meu carinho.

Mar

Maria Emília melo disse...

Querida Mar
Neste 13 de fevereiro,data para sempre entranhada na sua vida, quero dar os parabéns ao António e àqueles que o trouxeram para o Mundo.Nem sempre é fácil navegar neste oceano tão conturbado, mas que graça tem um mar permanentemente sem ondas?Desejo um dia muito feliz aos três. Que as artes de navegar vão sendo transmitidas ao António em tudo o que é a Mar. Amar sempre. Tudo, até um oceano agitado!
Aquele abraço
Maria Emília Melo

Mar disse...

Olá Emília:

O meu leitor mais assíduo e mais exigente avisou-me ainda ontem. Disse que a Emília se tinha lembrado do aniversário do António. Ainda consegui lê-la, a meio dos preparativos do jantar. Parei um bocadinho e fiquei como imagina, dada a sequência destes últimos anos. Guardei para agora o momento de lhe escrever. Por estar quieta. Por não estar entre uma coisa e outra. É esse o registo que me merece a sua amizade.
O dia 13 de Fevereiro, há oito anos atrás, foi o dia em que ele nasceu. Com isso, uma felicidade que me ultrapassava. Com isso, um medo que era sem nome. E maior. Ao mesmo tempo, tanto eu como o pai descansamos no amor sem medida que o fez nascer. Dizemos-lhe isso. Mesmo que tudo corra mal, isso nunca poderá ser alterado, rasurado. Foi amado desde o primeiro momento. O primeiro direito de uma criança deve ser esse. Tem crescido, ele. Está muito alto, para os oito anos. E é uma alegria só. Precisa cada vez menos de mim. Mas está certo. Quero-o solto. Livre no mundo onde nasceu.
Quero agradecer com o que tenho de mais luminoso. A sua lembrança. O seu carinho. A sua ética nos afectos. Uma alegria, que faça parte da minha vida. Neste registo circunscrito. Mas a felicidade tem muitas declinações, muitas variações.

O nosso abraço, Emília. Meu. Do Vasco. E do António.

Mar

PS: Eu e a Babette andamos a tentar localizá-la. Uma coisa de filme, quase:) A ver se sim.

Maria Jorge disse...

Vou ter saudades das suas mesas, das suas palavras, das suas flores!
Será que finalmente consigo deixar comentário???

Mar disse...

Olá Maria Jorge:

Conseguiu sim. Foi desta:)
Mesas. Palavras. Flores. Obrigada por essa enumeração. Obrigada por ter escrito saudades.
Saudades, também. Por opção. Mas saudades iguais às outras.


Mar

Graça disse...

Muitos parabéns pelo seu livro! Espero que o possa ler um dia.
Que esta seja mais uma etapa feliz da sua vida!
A sua presença por aqui faz falta.
Graça

foodwithameaning disse...

Querida Mar,
É com muita saudade de a ler que aqui venho. Agora vejo que existe um prolongamento de si através de um livro. Outro filho, portanto.
Muitos parabéns! Pelo que li através das palavras da Babette o lançamento foi um momento muito especial.
Muitas felicidades e um abraço apertado.
Patrícia

Anónimo disse...

Olá Mar,
Fiquei muito feliz ao ver que afinal nao nos deixou, apenas comunica connosco de forma diferente.De qualquer modo faz-nos falta as suas palavras quase diárias, e sinto também falta das suas lindas mesas.
Beijinhos e nuitas felicidades

Maria José Duarte

Mar disse...

Olá Graça:

Obrigada. Muito especialmente pelo carinho que adivinho nesses seus desejos. Está. Um livro. Até ser assim, todo um percurso. Difícil. Guardado em mim, para me fazer mais forte. São assim, as coisas.
A ver se sim, se lê. Gostava que sim.

Um beijo para si.

Mar

Mar disse...

Olá Patrícia:

Uma espécie de filho. Ocorreu-me, ao sentir a curiosidade por ver as palavras feitas livro. Que era semelhante, aquela curiosidade. Como se fosse um rosto.
E obrigada. Por esse assinalar. Aqui. Num lugar que está adormecido. Saudades, também. Tenho sentido saudades de aqui deixar coisas.
A ver se corre bem, que tenho uma série de medos. Nada a fazer, agora.

O mesmo abraço apertado.

Mar

Mar disse...

Olá Maria José:

Comoveu-me, o seu comentário. Lembrei-me de como ia gostando das mesas que aqui deixava. Especialmente das brancas. Este tempo está a ser necessário. E é pelo melhor. Precisava de estar um tempo indeterminado a perspectivar a minha existência quotidiana sem esta componente. Tenho-me dado conta que o meu encantamento persiste. A comida. Os rituais associados. E sim, as mesas. Pena estar sempre a chover. As mesas no jardim estão à espera que deixe de chover:)

Um beijo para si. Com a minha gratidão.

Mar

turistaocasional disse...

Olá Mar!

O meu artigo de ontem (10.04.13 - Uma descoberta no centro de Munique) poderia ter sido dedicado a si, ou à personagem principal do seu livro, pois acredito que ambas apreciariam bastante o que lá "apresento". Espreite caso tenha ficado com curiosidade.

Beijinhos e uma vez mais, votos de enorme sucesso para o seu primeiro livro.

P.S.: Desculpe caso este não seja o local mais indicado para este meu comentário, mas pareceu-me o mais directamente acessível.

Mar disse...

Olá Turista Ocasional:)

Já fui ver os sapatos do seu post. E sim. Munique e o mundo todo caberiam naquela personagem. Muito obrigada pela sua lembrança. Pela verbalização da lembrança. Aqui. Nada a desculpar. Eu é que peço desculpa porque só hoje vi o seu comentário. E só hoje respondo.
Obrigada pelas coisas boas que desejou. A ver se sim. Muitas coisas boas para si, aí longe.

Um beijo.

Mar

Graça disse...

Não posso deixar de fazer um comentário à mesa que pôs para a Babette e família. As mesas estão extremamente bonitas, com as cores que tanto aprecio, e é fácil perceber que foram pensadas com muito carinho!
Graça

Mar disse...

Olá Graça:

Li o seu comentário no blog da Babette e agora aqui. Qualquer coisa de graça, nisso. Muito obrigada. Fico feliz por ter gostado. E sim. Com muito carinho. As mesas. A comida. E tudo o mais. Quando as pessoas são graça nas nossas vidas não dá para ser de outra maneira.

Um beijo.

Mar