O bom dos momentos de desordem é que deixam adivinhar a ordem. Perspectiva-se a ideia de renovação. Por mais que haja confusão e pó e agitação. Mas sim. Uma contemplação carinhosa do que virá depois disso tudo que nos desordena por dentro e por fora. Eu acho que todos os capítulos destes trazem consigo uma vontade enorme de estar bem. De fazer com que o lugar que habitamos todos os dias seja mais nós, mais nosso. No meu caso, esse esforço é intensificado por viver numa casa que respira há uns séculos. Cheia das opções estéticas e dos objectos dessas narrativas muito anteriores a mim. Essa vontade vive em gestos como estes que ficam nas imagens. Limpar livros. Muitos. Centenas. Não sei. Deixei de contar, a partir de um determinado ponto. O tipo de tarefa que deve ser feita por quem ama cada uma das páginas. Confesso que só a ideia de um pano húmido ou de produtos de limpeza, passados por mãos apressadas e "eficientes" me aterrava interiormente. Por isso, foram quase dois dias a limpar e a arrumar os meus livros. À minha volta, o caos característico de obras em casa. Jornais espalhados pelo chão, cheiro a tinta, lençóis brancos a cobrir móveis. Tudo aquilo que nos faz respirar fundo e pensar que é circunstancial, que "já passa".
Depois da desordem, a tal ordem. Bom, quando as coisas parecem encontrar os seus lugares. E nós com elas, no fundo. Colocamo-nos em ordem, quando cumprimos tarefas deste género. Pelo menos, é o que eu penso, enquanto faço coisas destas. Que estou a tentar pôr-me em ordem:)
No fim de um dos dias de caos, esta maneira de comer pêssegos. Muito fresca, muito fácil e rápida de fazer. Foi-me ensinada pela governanta deste lugar no Douro. Nunca mais me esqueci. Vou fazendo variações, mas a essência do que a Filomena me ensinou na Casa dos Varais, permanece. A vida é assim mesmo. Sujeita a variações e a revisões. Mas estará tudo bem, se a essência permanecer intacta.
NB: Nestas minhas aventuras de limpar livros, descobri que o produto mais eficiente é este. Pode ser que a referência dê jeito a alguém:)
Delícia de pêssego da Filomena
7 pêssegos + 5 colheres de açúcar mascavado + sumo de 1 limão + folhas de tomilho fresco
Parte-se cinco dos pêssegos e coloca-se num liquidificador, com as cinco colheres de açúcar e o sumo do limão. Tritura-se, até ficar cremoso. Transfere-se para a taça onde vai ser servido e junta-se os outros dois pêssegos, cortados em pedaços. Envolve-se e leva-se ao frio (esta parte é muito importante, porque esta sobremesa é do género de comer muito fresca). No momento de servir, salpica-se com um pouco de açúcar mascavado e acrescenta-se as folhas de tomilho.
NB: Se não houver liquidificador, uma varinha mágica e um copo alto resolvem o assunto perfeitamente.
A música é daquelas de ajudar ao ritmo, nestas coisas de (des)ordem. Disclosure.
A música é daquelas de ajudar ao ritmo, nestas coisas de (des)ordem. Disclosure.















































