Por fazermos muitas vezes a mesma coisa, não quer dizer que a sintamos sempre da mesma maneira. Começamos pela toalha, que parece uma espécie de página, só que sem ser em branco angustiante. Como acontece com todas as páginas vazias que queremos (pre)encher. Com as toalhas é diferente. Não há aquilo da angústia, porque podemos retirar aquilo que não está bem. E ser como se nunca tivesse acontecido. Com as páginas brancas não dá para esse exercício. Dá para riscar. E ficar a marca da hesitação, da bifurcação que nos assaltou num dado momento. Ou dá para rasgar e atirar para longe. De uma maneira ou de outra, sempre aquele rasto.
De uma maneira ou de outra, as coisas vão sendo dispostas. Os pratos que assinalam os lugares à mesa. A seguir, os outros pratos. Os que vão sendo retirados à medida que tudo acontece. Os talheres. Os copos. Os guardanapos. Tudo a obedecer a uma ordem superior. De vez em quando, até dá para pensar que haverá um deus qualquer para estas coisas pequenas que as nossas mãos igualmente pequenas vão fazendo.
De uma maneira ou de outra, a vida precisa de seguir. De uma maneira ou de outra, a vida pede por mais uma página. Mais uma mesa. Sempre só mais uma mesa. Lugar onde nos sentamos. Depois da frase a dizer que está servido o jantar, a visão de coisas que ali estão porque nós existimos. Uma sopa consistente. Um bolo salgado de cebola e bacon a sair do forno. Água quieta em copos altos. Vinho que faz deuses os homens que o fizeram. De uma maneira ou de outra, música. Trevas, um mundo sem música.




















































