Um pouco do que acontece em silêncio.


Mais um passo. Mais uma fase. É assim que são as vidas. Feitas de passos e de fases. Uma espécie de metáfora desse fluir inexorável, as fases do meu jardim. E estes são os dias dos loendros violeta. As flores exuberantes que vêm a seguir ao rosa da cerejeira que nunca há-de ter cerejas. Daqui a algum tempo, será a vez dos loendros rosa vivo. Depois, muito devagar, as flores das árvores mais frágeis de todas. Coisas assim, que vão acontecendo. Coisas assim pequenas, que poderiam passar despercebidas, de tão silenciosas. Não fazem barulho, as flores das árvores. O despontar da vida toda que há, acontece sem mais. E silenciosamente.
E este ano aprendi a deixar que estas flores aconteçam unicamente no contexto delas. A aceitar que pertencem só ali. Tentei trazê-las para a mesa, mas pareceram perder-se, no meio de elementos que lhes foram estranhos. Descontextualizadas, devem ter ficado tristes. Talvez tenha sido isso. Partilho-as então, no lugar a que pertencem, as flores que cumprem mais uma fase. E que acontecem em silêncio.

2 comentários:

  1. Boa noite Mar
    Nestes dias de ritmo de trabalho louco( acções de formação sobre Novos Programas de Português,Semana das Línguas,apresentações de manuais, Acordo Ortográfico e...o quotidiano),os rododendros do meu jardim têm sido um bálsamo para aliviar horas intensas e extenuantes.
    Engraçado como a Natureza tem este poder no nosso espírito! Cada vez mais a respeito, aprecio e vivo.
    Sabe que não gosto de cortar as flores do jardim? Prefiro olhá-las no seu espaço de vida;sei que, om esta atitude, lhes prolongo a existência, prolongando também o meu prazer.
    Nas jarras, gosto de pôr ervas(tal como a Mar)e verdes de vários tons.
    Beijinhos
    Emília Melo

    ResponderEliminar
  2. Diz bem, Emília. Estas e outras coisas silenciosas são bálsamos. Poderes pequeninos e breves que podem fazer toda a diferença num dia.
    Também não gosto muito de cortar as flores do jardim. Pela descontextualização, talvez. Por achar que será um gesto que contraria a ordem natural das coisas. A estas em particular, gosto mesmo é de as olhar no lugar a que pertencem. É lá que devem estar.

    Um beijo para si. E olhe muito as suas flores, pelo meio de todas as coisas que tem para fazer. São muitas, ao que vejo.

    Mar

    ResponderEliminar

AddThis