Um livro com asas de borboleta.




Um livro que me ofereci. Mas que não quis deixar de deixar aqui. E foi tão difícil seleccionar as páginas a partilhar. Tão bonitas, as ilustrações. Plenas de detalhes. De vida. Como se as personagens pintadas ganhassem vida. Sem mais.
Reparei nele, na parte dos livros infantis da Leitura, no Porto. Gosto muito de passar tempo a escolher livros de criança pelas ilustrações. Pelas cores. Pela recuperação do imaginário do tempo em que acreditamos porque sim. Sem fazer perguntas. Sem antecipar cenários. E o tempo que dedicamos às coisas nunca é perdido. Uma história triste. A história de uma história que não deu certo. Contada em francês. A língua dos amantes. Para contar a história dos amantes que se transformaram em duas borboletas. Les amants papillons.
Borboletas depois de borboletas. Porque uma montra cheia de borboletas me tinha feito entrar numa loja. Não estavam à venda. Mas umas mãos afectuosas embrulharam borboletas brancas em papel branco de seda. Para que eu as tivesse à mesa do dia das mães. Eram só borboletas, mas eu tinha gostado tanto delas. E levaram-me à história desta metamorfose. O amor enquanto metamorfose. Do amor que arranja maneira de acontecer. Este foi em forma de duas borboletas. Um amor que acabou por ganhar asas.

4 comentários:

  1. Como te disse hoje: Borboletas brancas são prenúncio de boa sorte!... Heranças transmontanas deixaram-me esta (e muitas outras!...) superstições. O livro parece lindo, ainda que não tenha um final feliz. Adoro essas imagens orientais que transformam as palavras.

    O Gato "Acontece" anda a rondar-vos. Com os gatos são eles que vos adoptam, e não o contrário. Bom, se assim for!

    Beijos e continuação de um dia da Mãe feliz. Com borboletas brancas na mesa.

    ResponderEliminar
  2. Não sabia que havia essa ideia associada às borboletas brancas. Que bom haver essa noção acrescentada às borboletas que me foram oferecidas num sábado com chuva. Prenúncios de boa sorte.
    É muito lindo, este livro. Parecem de cera, as imagens. Com a dose certa de realismo e a outra, a que permite o encantamento inicial da infância.
    Gostei do nome que arranjaste para o gatinho que aconteceu:) A ver se sim, se ele nos adopta. O António já o conquistou por completo. Pega-lhe ao colo e faz-lhe muitos carinhos. E a mim já me deixa fazer festinhas. É bom cuidar de mais uma forma de vida.

    Um beijo para a minha Babette. Depois do dia da mãe. Num dia cheio de trabalho e de coisas boas.

    Mar

    ResponderEliminar
  3. Querida Mar,

    hoje apeteceu-me sair do silêncio... :) Porque li sobre livros, sobre os "meus" livros. Aqueles que são para as meninas crescidas que são sempre pequeninas, como eu. Delicio-me com a poesia que há em cada palavra ou, na sua ausência, em cada imagem. Este não conhecia ainda e fiquei fã, também. Para além da Livraria, que já fui ver na Internet e na qual encontrei alguns que dificilmente encontro em Portugal. Obrigada, por isso também! :) Deixo-lhe um de Shaun Tan, que curiosamente foi muito recentemente editado pela Kalandraka, aqui em Portugal. É uma maravilha! Lindo, lindo!

    http://www.youtube.com/watch?v=BtWThf3ZRRw&feature=related

    Um beijo com carinho,
    Mafalda

    ResponderEliminar
  4. Olá outra vez:)
    Acabei de lhe responder ao comentário no outro post.
    Também sou assim. Gosto dos livros das pessoas grandes, mas preservo sempre o encantamento que me faz continuar a querer gostar dos livros dos crescidos que são sempre pequeninos. Este foi um deles. E sim, a Leitura é uma daquelas livrarias inesgotáveis. Há sempre livros que não há nos outros sítios.
    Obrigada pelo livro que deixou. Lindo, deixar um livro. Um livro lindo. Muito obrigada.

    Um beijo com muita ternura. E gratidão.

    Mar

    ResponderEliminar

AddThis