Coisas que não servem para nada.


Sem saber muito bem porquê. Ou para quê. Mas quero conservar estes instantes. Talvez por não servirem para nada. Talvez por isso. Havia receitas. E mesas. Um doce conventual de laranja. Coisas que estão à espera de existir aqui. Mas havia estas imagens. Do mar no Guincho. A serra pelo mar dentro. Uma figura humana. Esmagada pelo céu. Com muito mar ao fundo. Quase insignificante. Mas ficou. Um instante em andamento. E ficou isto. Uma parede cheia de pratos. Bem no meio da cidade. Depois de levar o meu pequenino à Bénard para cumprir um ritual que a mãe cumpria quando era assim: pequenina. O olhar sem fotografia, primeiro. Sem filtro. E depois, a imagem. Sem saber muito bem para quê. Ou porquê. Talvez para me lembrar que esta paragem motivou outras. Que no instante em que quis guardar esta parede, houve passos a abrandar. Olhares que se voltaram para a parede que era motivo suficiente para uma fotografia. Sentir que, muito provavelmente, aqueles passos e aqueles olhares nunca tinham abrandado por causa da parede que me fez parar. E olhar. E querer conservar porque sim. Por gostar muito de coisas que não servem para nada.
Hoje fica aqui o que remanesce. E pode ser que amanhã haja o tal doce conventual. Mais uma mesa. Mais coisas que não servem para nada. Ou nada.

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