Try again.



Há aquele pequeno detalhe associado aos espargos. O pequeno detalhe de estarem irremediavelmente ligados às minhas náuseas de grávida. Só havia náuseas por causa de espargos verdes. Tanto, que quando acedia a fazê-los, os deixava desacompanhados a ferver em água e sal, por não suportar o aroma que libertavam. Coisas que ficam. Mas tenho regressado a estes legumes tão bonitos. E tenho procurado integrá-los em receitas e em momentos. Este foi um desses momentos. Muito simples, por sinal. Um início de refeição com verde fresco de espargos e salmão fumado. Uma composição muito minimalista. Servida antes do que vem depois. Com maionese e um pouco de mostarda verde em blinis delicados. Uma tentativa. Try again. A dar uma hipótese aos espargos verdes:)

Para esta hipótese, basta cozer espargos em água previamente temperada com sal e em ebulição. Durante o tempo certo (cerca de cinco minutos). Depois, envolvem-se em fatias muito finas de salmão fumado. Ao lado, um pouco de maionese com um toque verde de mostarda de estragão. Uma alcaparra a finalizar.

E mais uma mesa. Gosto sempre que aqui fiquem, as mesas. Por terem significado os dias e as noites. Por serem contextos interiores. Mesmo quando são quotidianas. Mesmo quando têm objectos a que volto uma e outra vez. A juntar aos outros elementos. Aos transitórios. Que perduram só na memória. As velas. As flores. A Primavera ser o aroma negro de uma vela com rostos brancos. O perfume ostensivo das frésias. A camélia que veio das mãos afectuosas de uma das pessoas à mesa do chá, na sexta-feira. As flores que parecem feitas de cera. Que entram rapidamente em declínio. Fugazes, como tudo o que é belo e tem vida.
E a esta mesa, havia pedaços de laranja cristalizada, envoltos em chocolate negro. Um presente fugaz, de uma amizade que quer perdurar. A juntar à receita de hoje. Que chegou a mim por ela. Pela Babette. 
Uma viagem longa, agora. Mas pensar no regresso de uma viagem longa. E no mundo todo que vai haver nesse intervalo. Mundo para ser integrado. E depois partilhado.
Até ao regresso anunciado. E uma boa viagem longa:)

2 comentários:

  1. Senti-me tão presente nessa mesa, nesse post! Ainda tornaste mais bela essa entrada simples de salmão com espargos. Os blinis ficaram muito bem, e a mistura da maionese com a mostarda deve ter resultado muito bem.
    Que bom....
    Obrigada
    E até breve!
    Babette

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  2. A ideia era mesmo essa: estares presente:)
    Desculpa as alterações à tua receita. Encara-as como uma homenagem. E sim, a maionese e a mostarda ficaram muito bem juntas. Os blinis foram uma espécie de inspiração de última hora, porque fui ao Gourmet, no El Corte Inglès. Eles estavam lá à minha espera:)E lembrei-me de os associar à tua receita.

    Uma boa viagem. Vais ter muito tempo para ler o livro da Ana Teresa Pereira. Ou vários:)

    Um beijo.

    Mar

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