Um gratinado descontextualizado.

Porque a fotografia tem sol que não é de hoje. Nem sequer de ontem. Porque no dia em que fiz este gratinado, apeteceu-me descontextualizá-lo. Retirá-lo da mesa. E trazê-lo ao jardim de inverno. A casa de vidro, como lhe chamamos. Um lugar para olhar as árvores. E ler. E ouvir música. E filtrar a realidade. Para a amenizar. Por esta altura, as magnólias estariam cheias de flores brancas. Mas há Inverno, ainda. A chuva não deixa que elas apareçam, de branco luminoso. Olho-as todos os dias. Porque sei que estão à espera. Como eu. Que o sol venha.
Enquanto não, há comida que oferece uma visão que reconforta. De gratinado feito lentamente. E a receita que aqui fica:

Uma embalagem de massa (pappardelle) + gambas (cerca de 25) + 2 alhos franceses cortados em rodelas finas + 2 pimentos doces pequenos + coentros picados + 2 pacotes de natas + azeite + sal + 2 colheres de mostarda + pimenta rosa moída + queijo mozzarella.

Primeiro, leva-se ao lume água, sal e uma rodela de limão. Quando ferver, junta-se as gambas (que devem cozer durante três minutos). Retira-se e coloca-se a massa nesta água. Entretanto, faz-se um refogado rápido com os alhos franceses, os pimentos e o azeite. Acrescenta-se um bocadinho de pimenta rosa e um pouco de sal. Quando a massa estiver cozida e as gambas descascadas, junta-se ao refogado e envolve-se com cuidado. Depois, é só adicionar as natas e os coentros e voltar a envolver. Quando estiver tudo em harmonia, as duas colheres de mostarda. Mexe-se mais uma vez, para integrar bem a mostarda. Coloca-se num prato que possa ir ao forno e à mesa. Polvilha-se com o queijo mozzarella e espera-se que o quentinho faça o resto. Serve-se com salada verde.
E espera-se que venha o sol. E que as flores das magnólias surjam, luminosas. Para serem aparições muito brancas no meio do verde das heras.

11 comentários:

  1. Comida que reconforta enquanto se aguarda pela Primavera num lugar que se adivinha mágico.
    Posso mudar-me para a sua casa de vidro? ;-)
    Sandra (com carinho)

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  2. Mar
    Também eu adoro a magnólia branca do meu jardim! Já está coberta de flores brancas mas a chuva e o vento não me dão oportunidade de desfrutar o esplendor daquela copa recheada de branco puro! Tenho cortado pequenos ramos para, dentro de casa,poder apreciar a efemeridade de flor tão pura, simples e bela. Mesmo o efémero nos pode fazer viver momentos de felicidade prolongada.
    A magnólia branca é, desde o tempo da faculdade , a minha árvore favorita. Quando descia a R. dos Clérigos, deparava com uma recheada de branco que anunciava a grande nova. O renascer da vida.( Ainda está lá a cumprir o seu destino). Talvez seja esse simbolismo que me faz gostar tanto desta árvore.
    Oxalá venha o sol para tornar ainda mais belas as magnólias do seu jardim . Para não precisar de as desfrutar através dos vidros da sua casinha de/dos sonhos! Sempre sonhei com uma dessas casinhas! Influência dos "conservatories" ingleses e da minha formação.
    Beijinhos para a mar que diariamente consegue despertar tão boas sensações. Também com magnólias brancas.
    Emília Melo

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  3. Mar
    Só para dizer que nunca poderia escrever MAR com letra minúscula.Não só pelas regras de ortografia, mas pela grandeza e imensidão de sentimentos que desperta naqueles que a lêem.
    Beijinhos
    Emília Melo

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  4. Olá Sandra!

    Gostava imenso de a ver na casinha de vidro do meu jardim. Até porque é lugar para ler. Onde há livros que ali encontraram lugar. E eu sei o quanto significam para si.
    Eu, a minha comida e as magnólias aguardamos pela Primavera. Para abrir a casa transparente ao jardim. Ao sol.

    Um beijo da Mar. Num dia de chuva. Mais um.

    PS: Hoje vi quatro arco-íris! Lindos!

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  5. Olá Emília,

    Era um dos meus sonhos também. Ter uma destas casinhas. Os conservatories ingleses (sempre achei curiosa esta palavra). O meu marido mandou construir uma casa transparente, quando fiquei grávida. Por isso, há uma ligação muito bonita ao meu filho. Ao início da vida do meu filho. As magnólias são as minhas árvores preferidas do jardim. Por anunciarem a Primavera. Por serem tão brancas. E a Emília tem sorte. No Porto elas chegam mais cedo. Da última vez que estive lá, já havia flores brancas por toda a cidade. Tão bonitas. Aqui estão à espera do sol. Ainda há pouco as olhei. Receio que a chuva as estrague.

    Um beijo cheio de carinho para a Emília. Pelas coisas lindas que significa para a Mar. Sem que importe a letra inicial:)

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  6. Mar:
    Já te disse uma vez (creio que num comentário a um post lá mais atrás) que a minha flor preferida é a Magnónlia Branca. Na árvore. Em contraste com o castanho dos ramos nus. tão engraçado ser também a flor favorita da Emília!... Que coincidências saborosas, estas!
    O caderninho que ao lado se adivinha também me agrada muito!...
    Beijos num dia de chuva que teve arco-íris.
    Babette

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  7. Muitas coincidências boas, que têm surgido, minha amiga doce. Pela comida, pelas memórias que vêm associadas. Depois os lugares. As pessoas dos lugares. Hoje foram as flores. As flores muito brancas das magnólias. Que nos fizeram coincidir.
    O caderninho é uma daquelas coisas para partilhar contigo por email:)

    Beijo da Mar. Que hoje viu quatro arco-íris no meio da chuva.

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  8. Este fim-de-semana vou experimentar, que a minha Princesa de Olhos Grandes é completamente 'pasta addicted, de todas as formas e feitios, mas sem coentros, que nisso não sai à mãe... :)

    Beijinho de Boa Noite, sempre mais reconfortante depois da passagem por este cantinho! ♥♥♥

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  9. Quando vejo um arco-íris fico logo com um sorriso enorme. Não sei que poder é que têm, mas parecem algo de conto de fadas, um antídoto natural contra as "coisas más", o sol a querer dizer à chuva que já chega. :-)
    Ver 4 num dia então é espantoso. Que sorte!
    Sandra

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  10. Sim, minha happy single mother. Massa para a Princesa dos Olhos Grandes. No fim-de-semana.
    Diz depois como correu, sim? A ver se fica feliz, a tua menina com nome de princesa:)

    Um beijo muito grande. Da Mar. Para as duas.

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  11. Uma interpretação muito poética das cores do arco-íris. Também pensei nisso, quando vi as cores muito juntas. Que eram um antídoto para as coisas más. A dizer que já chegava:)

    Um beijo para si, Sandra. Que também tem muito de antídoto. De conto de fadas.

    Mar

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