A mesa para receber sobrinhos ao domingo.


É bom que a casa seja invadida pelas vozes dos meus sobrinhos. Que já são crescidos. E têm voz de adulto. Ou quase. Eu sei que eles reparam nos pormenores. Que o olhar vai logo para a mesa, enquanto cumprimentam a tia Mar. Mesmo que dois deles já sejam grandes e andem na faculdade, é bom constatar que o tempo não lhes diminui a capacidade de se maravilharem com coisas pequenas. Como uma mesa. Ou uma refeição. Claro que há fases. Mas ainda assim, registo sempre com carinho aquelas exclamações iniciais e muito espontâneas, quando olham a mesa cheia das coisas que a tia fez para eles.
Esta em particular, porque no Sábado, em Viseu, surgiu um pedaço de tecido precioso. Com rostos femininos e flores. Queria muito que fosse o elemento da mesa de Domingo. A mesa composta para os meus sobrinhos. E a comida. Que eles repetem. Hoje juntei três das coisas de que mais gostam: massa, camarões e queijo. No forno, a gratinar.
Um bom almoço. Com os meus sobrinhos crescidos. Que nem sabem ao certo que a tia tem um sítio onde guarda as mesas que os acolheram. E onde regista o afecto que lhes tem. A pretexto de uma mesa.

PS: Para a Paula Baidori, da Alphagraphics: peço desculpa por só hoje retribuir o seu comentário, num post anterior, a propósito de uma vida e um livro. É-me particularmente insuportável a ideia de deixar palavras sem resposta, mas aconteceu porque não dei conta. Queria então, agradecer pelo contacto, pelos abraços e pelo facto de gostar muito da ideia de alguém escrever a partir do Brasil. Um lugar onde fui muito feliz. Se ainda merecer visitas da sua parte, aceite o meu pedido de desculpas:). Mar

4 comentários:

  1. Que lindo, saber que tem sobrinhos crescidos, que gostam de ir à casa do Mar e reparar nos pormenores. Os chemins tão Arte Nova são tão poéticos. Os rostos femininos e suaves acolhem a mesa. Que lindo centro branco e que linda a saladeira. Tão bonita a mesa. E cheia de coisas que eles gostam. Porque é assim que tem de ser.
    Adorei descobrir um pouco mais de Viseu, pelos seus olhos e as suas mãos. Obrigada e uma excelente semana para a Mar!
    Babette

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  2. Mar, Mar: ler o seu blog é como quem lê um livro: cada página se acrescenta a outra seguinte e o todo faz o mesmo sentido que um capítulo a que se junta outro e outro...Já se vê que eu sou de uma área completamente diferente, se calhar por isso me sabem tão bem as diferenças! E adoro ver as empatias que se despertam...ler os diálogos entre si, a Babette, a Fa, a Emilia, outras ainda...a escreverem tão bem, a ensinarem como as coisas boas da vida podem ser subdivididas em pequenos trechos, em belas fotografias, em visitas a sítios às vezes aqui tão perto. A propósito fui este domingo visitar e almoçar ao Mosteiro de Tibães, recentemente restaurado.
    Come-se lindamente e olhe, quando pedi um creme de agriões com avelã picada, lembrei-me de si e da Babette. Vê a importância que têm?
    Beijinho

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  3. Para a Babette:

    Sim, tenho cinco sobrinhos. Quatro que já são crescidos. E um pequenino, mais novo que o meu filho. E todos têm atenções diferentes da minha parte. Gosto particularmente dos comentários de um dos meus sobrinhos, o João. Porque é muito atencioso sempre. Na forma como repara no trabalho amoroso que subjaz à mesa de um almoço, por exemplo. Então, por todos os motivos, esta mesa foi composta com carinho. Para acolher estas visitas de domingo. O tecido veio da loja de que falei no outro post. Uma preciosidade. E sabe, desconfio que a Babette iria gostar de um outro tecido em toile de jouy, que aparece muitas vezes nas páginas da "nossa" revista de decoração preferida, a AD.
    Fico contente que tenha gostado de "andar" por Viseu, nas páginas virtuais da Mar:)

    Um beijo de boa semana para si. Com muito sol.

    Mar

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  4. Para a Lusitana:

    Registo com carinho todas as suas palavras. Gosto muito da ideia de a vida poder ser um livro. Com capítulos onde são escritos os dias. É-me importante registar as coisas pequenas que fazem os dias. Sempre houve esse impulso. Só pelo registo. Para não me esquecer de nada. Para que as coisas, mesmo as más, sejam integradas. Escrever aqui é uma das partes bonitas da minha vida. Vir aqui e dizer que gostei muito de uma refeição. Ou que um sabor me faz pensar numa pessoa. Ou que um livro me acrescentou. As coisas pequenas que nos tornam pessoas melhores. É bom tentarmos ser pessoas melhores, não é? Tendo a noção de que a tentativa vale sempre por si.
    E então, cada parte de mim que está nestas páginas, fica feliz por, algures a meio de uma refeição, se ter lembrado da Mar. Guardo essa lembrança com afecto. E retribuo com mais palavras. Que não conseguem dizer tudo.

    Obrigada, Lusitana. Um beijo da Mar. Num dia de sol.

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