Como transformar comida em arte


Um fruto de Outono. Elevado ao estatuto de obra de arte. Uma espécie de instalação, numa peça que devia acolher esculturas. E que é ela própria, uma obra de arte. Museum. Assim, em vez de uma escultura, achei que ficava mesmo bem uma taça com um doce muito delicado. E muito simples de fazer. Basta um pouco de água no fundo de um tacho, pêras cortadas em quartos (cerca de um quilo), mais ou menos a mesma quantidade de açúcar e sumo de um limão. No lume até fazer ponto de estrada (quando num pouco de calda de açúcar se conseguir desenhar uma estrada). E embora seja um doce que vale por si, imaginei que ficaria mesmo bem conjugado com um gelado de gengibre.
E os livros. Os da busca do meu filósofo. E os meus. E gostei mesmo muito de associar o Philip Roth e a Ana Teresa Pereira a este doce num pedestal de cristal.

NB: A receita é da minha sogrinha. Que me acolheu logo com um sorriso. Obrigada à Né:) Pelos nossos almoços cúmplices aos dias de semana. E por este doce.

2 comentários:

  1. ...muito sinceramente, obras de arte há (como sejam os livros, ou o doce de pêra),que eu prefiro ver, mais "abertos"... (lol), não redomados em vidros ou acrílicos, o que poderá transmitir a sensação de não lidos, não manuseáveis, não saboreáveis e como tal... preferia-os "mais"... sendo que este mais significa aqui, mais livros e sobretudo muito MAIS doce de pêra... "à vista" do tacto e do gosto e do olfacto e... da audição de um qualquer BOM jazz, como o que estará em Vila Real no próximo sábado 16 de Outubro (Al Di Meola)...

    josé manuel, vila real

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  2. Uma interpretação. A ideia é mesmo a de conferir à comida esse estatuto: o de ser uma arte. Por partirmos de uma matéria. E de a transformarmos, de a tornarmos nossa, por aquilo que nela colocamos de intrínseco. E saber que depois de ser nossa, é partilhável. E que será apropriada por outros.
    Bom concerto! Eu espero por Arcade Fire. Em Novembro.

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